28 de maio de 2009 às 21:28 por Flavia

A Reunião Pró-Confecom de Sampa

Pular para os comentários

Então, a reunião Pró-Confecom de São Paulo, que foi ontem, 20hs na Câmara. Sinto não ter a velocidade informativa da Reuters pra ter dito neste blog antes, pois acho importante compartilhar informações deste tipo, desculpem todos.

Mas finalmente fiz primeiro contato, levei o informe de que existe este esforço pela Confecom, e ouvi com todo cuidado.

Há zilhões de coisas que não entendo, apesar de entender que dizem respeito a todos os esforços que vêm sendo acumulados não só para que cada comissão local possa entrar em acordo internamente, como a nivel regional e nacional, para se entrar em acordo sobre o que deverá ser defendido pelos representantes do “resto” da sociedade civil na CO (a comissão de organização da Confecom, que já existe, já tá negociando, e que votará as regras sob as quais estará a Confecom em dezembro)

Deixa eu explicar – é uma corrida contra o tempo. Houve uma derrota importante, a meu ver: quando o presidente assinou o decreto, começou a correria do que prefiro chamar de “resto” da sociedade civil só pra ironizar a coisa. Eles precisavam estar em 4 frentes de batalha:
1. Divulgar a Confecom junto à população.
2. Se organizar entre si a nivel nacional
3. Conseguir uma CO justa
4. Organizar os Pró-Confecons municipais e regionais antes do limite do seu tempo, que será antes de dezembro, que são os limites fixados pela portaria assinada pelo Ministro das Comunicações, creio.

Eu acho que eles levaram um certo golpe quando sai a CO, pois se a Confecom tem que acontecer incluindo todos os que não são governo – ou seja, inclusive o empresariado, o balanço com que saiu a CO foi horroroso, com paridade entre “representantes da sociedade civil empresarial” e “o resto da sociedade civil”, quer dizer que então somos o grande resto, que no máximo vale tanto quanto o empresariado a despeito de sermos, em números muito mais. Agora o prumo da balança vai pender pra o quanto o “resto” da sociedade civil conseguir influenciar a parcela do CO que são os representantes do governo, mas ainda há esperanças, pois esse grupo não é um bloco unido como é o empresariado (apesar que as companhias de teles, que querem abrir as concessões para as rádios, podem gerar certas rachaduras no bloco unido do empresariado), e também podemos contar que se a Confecom não acontecer na calada, mas com o conhecimento e o apoio às teses progressistas do resto da população – é nessa ficha que o Liberdade aposta, pois é nisso apenas que podemos ajudar – a Confecom poderá ser uma primeira brecha, onde entraremos com um pé de cabra e muita fé no futuro.

O que nos aguarda é ver se não sai um Regulamento Interno horroroso dessa CO, e para que isso não ocorra, as entidades estão correndo contra o tempo.

Voltando à reunião.

Foi super agradável ver tanta gente de ONGs diferentes. Passei uma lista só pra saber das entidades presentes naquele momento:
Artigo 19
Sindicato é pra lutar
ENECOS
Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas
Intervozes
LBL – Liga Brasileira de Lésbicas
Movimento Feminista
CRP-SP
MMM-FCU
UMM-SP
Uma estudante de jornalismo que tenta organizar os Grêmios Estudantis da região onde mora, a periferia onde a internet ainda não chegou.
Instituto Alana
Campanha Ética na TV
Alguém da Prefeitura de Suzano
alguma outra entidade que não consegui decifrar a letra da pessoa

A reunião flutuou em torno do número de 25 pessoas. Peguei também os nomes deles, mas acho mais legal mostrar quantas entidades, o quanto é grande em pluralidades uma reuniãozinha municipal do “resto” que somos.

Foi isso. Estou esperando ser incluída na mail list de São Paulo. Eles estão com problemas com a mail list. Não entendo de mail lists. Algo com o yahoo, e os recados deles mesmos não estão sendo enviados entre eles. Eles estão batalhando para fazer ações de divulgação em escolas, gêmios, centros culturais, internet.

Sobre a internet, eu bem sei que não basta por a informação lá, por isso mesmo o Liberdade quer ser um portal dessas informações. Mas todos os blogues podemos dar esse apoio. Na reunião senti que eles estão muito cientes de que é preciso fazer algo, pois como disse e repito, não podemos contar com a Globo.

Por isso continuo a pedir – peça para o seu leitor dar a informação, como fez Marcos Simões da Baixada Santista: ele leu um comentário, bicho, um co-men-tá-rio que eu deixei no Cidadania.com, e me escreveu um e-mail indicando uma Comunidade na Internet que discute Confecom na Baixada Santista. Juro que quase chorei. Se é difícil até pra mim, que estou pesquisando isso há uns mêses, achar o Pró-Confecom de Sampa, se está difícil até entre eles, que já estão nessa juntos há muito mais tempo, se comunicarem, só nos resta a ajuda mútua. Pois com a Globo é que não poderemos contar.

Bom, na reunião todos botam a mão no bolso pra xerox. Não precisa dizer que isso é quase trabalho samaritano, de estar se reunindo às 20:00, e eu saí de lá 22:40, pois tinha deixado minha moto num estacionamento na Consolação que fechava às 23, e a reunião continuava – isto é samaritano, mesmo que me digam que algumas destas pessoas trabalham em ONGs que pagam seus salários. Sabe o que eu diria se eu tivesse chefe (não tenho mais, sou frílancey, meu) se ele me dissesse que eu tinha uma reunião das 20 à meia noite? Cara, ele iria querer lavar as orelhas por pelo menos uma semana. Além do mais, a questão das ONGs se liga à Confecom, e a Confecom foi uma luta das ONGs, mas cada uma dessas ONGs trabalha com mais trinta questões e eu pude ver uma das meninas falando de trabalho antes da reunião. Ela tivera uma reunião com um chefe da FEBEM, o cara defende o castigo dos gurís e ela comentava algo do tipo “mas eu tive que escutar, se não não tem negociação…”.

Cara, eu amei aquele povo.

Ah, sobre as propostas de divulgação, eles estão querendo fazer funcionar algumas idéias, além de concertar e melhorar a comunicação pela internet:

  • organizar micro fóruns nas escolas públicas – um evento onde essas pessoas irão às escolas
  • fazer um curso de formação de formadores – para poder dar uma melhor idéia sobre a confecom a pessoas que possam multiplicar seus esforços nos lugarejos, manja, acho que gurís de grêmios, pessoas de associações de bairros, de grupos de discussão de igrejinhas, entrariam bem como multiplicadores nas suas comunidades.
  • fazer uma Caravana da Comunicação – alguém perguntou de onde outro alguém tirou esse nome de “Caravana” ai o outro alguém diz que alguma(s) entidade(s) pegou o busão saindo do último Fórum Social Mundial e foram de cidadezinha em cidadezinha de Norte ao Sul fazendo pequenos eventos.
  • uma tal de Feira – algum evento de rua, em que eles param pedestres e conversam. Dizem que queriam filmar isso – eu espero que eles filmem tudo – eu quero os vídeos de todos.

Faça um comentário