28 de maio de 2009 às 23:29 por Hugo Albuquerque
CONFECOM
Por Hugo Alburquerque no Descurvo em 28 de maio de 2009.
Este blog apoia a CONFECOM, a I Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo Presidente Lula e que será realizada em Dezembro. Suas origens repousam nas lutas dos movimentos sociais contra a estrutura midiática oligopolizada desse Brasil varonil que habitamos – como melhor explicam a Flávia Brites no blog que ela montou sobre a CONFECOM, o Liberdade de Expressão e o nosso amigo Eduardo Prado no seu Conversa de Bar.
Como já foi externado reiteradas vezes aqui n’O Descurvo, a questão da Mídia é nevrálgica no mundo contemporâneo; vivemos numa época onde a produção se desmaterializa e o capitalismo financeiro, como expõe a atual Crise Mundial, está em vias de extinção. Em seu lugar, está se estabelecendo uma nova era, onde o dado informacional ganha cada vez mais valor em si mesmo; informação está deixando de ser meio para o poder para ser poder em si; o dado monetário se informatiza e a diferença entre os dinheiro e informação se estreita cada vez mais, suscitando uma convergência logo ali na frente.
Quando vemos casos como o de Daniel Dantas, estamos diante desse fenômeno; antes mesmo da batalha por corações e mentes disputada na Mídia, a briga anterior era a de um banqueiro fazendo uso de uma estratégica “agressiva” para conquistar terreno na Mídia. Dantas pode ser muitas coisas, mas burro, ele não é mesmo, muito pelo contrário: DD viu essa convergência no horizonte e resolveu chegar lá primeiro, não importando como.
Isso é emblemático e nos serve de alerta: Se aqueles que acreditam na Democracia não fizerem um esforço para chegar nesse horizonte e fincar a sua bandeira, alguém há de chegar lá primeiro. Somos um país que, relativamente às nossas idiossincrasias, parece destinado a algo mais tenebroso do que no resto do mundo; o Brasil é um lugar que possui – e é possuído por – uma Mídia oligopolizada e controlada por grupos econômicos familiares – que se confundem com suas propriedades de tal forma que é difícil dizer se são famílias que são empresas ou empresas que são famílias -, portanto, nosso destino na Era da Informação, sem a devida mobilização, é de trevas muito densas.
A tarefa que temos adiante não é fácil, mas não podemos esmorecer nem nos curvarmos na falácia da suposta realidade como eu abordei aqui há pouco; nós, humanos, não compreendemos o real em sua totalidade, tudo que conhecemos existe, mas nem tudo que existe é conhecido por nós; a realidade é uma contínua construção que os humanos, em maior ou em menor grau, tomam parte e nem ao menos têm o conhecimento pleno dele em toda a sua complexidade; o uso de uma suposta realidade como limitador da ação política e justificador dos crimes praticados pelo Poder é inteiramente sofismático e terrivelmente sofismático nos nossos dias. Destarte, não nos enganemos, olhemos através das coisas e sigamos adiante.

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