Posts de junho de 2009

29 de junho de 2009, 21:05

FISL aplaude Lula: projeto Azeredo é censura

Fonte: Fórum Internacional de Software Livre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse dia 26 em Porto Alegre, no 10 Fórum Internacional Software Livre – fisl10 – que no governo dele é proibido proibir. A frase de Lula foi uma referência ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, que propõe vigilância na internet.
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29 de junho de 2009, 19:59

O leitor médio e a corrupção no Senado

Clareza, equilíbrio e objetividade continuam sendo qualidades imprescindíveis de um bom texto jornalístico, a despeito de atualmente escassas nas editorias de Política e de Economia dos principais jornais e revistas do país, e do questionamento que alguns teóricos da Comunicação fazem não apenas em relação à possibilidade de ser objetivo mas à existência mesma do fato enquanto ocorrência passível de ser fielmente descrita.

É provável que soe redundante tal obviedade, mas a dificuldade do leitor médio para apreender a configuração básica de fatos políticos que apresentem algum grau de complicação, em meio ao cipoal de distorções tendenciosas, histerismo denuncista e omissões deliberadas impostos, com frequência, pelos interesses políticos que os órgãos de imprensa ostentam (mas não assumem) é tamanha que a justifica.

Portanto, as três qualidades mencionadas no primeiro parágrafo, não se referem, nesse contexto, apenas aos aspectos formais do texto jornalístico, mas à sua clareza de intenções; ao equilíbrio como capacidade de dar voz às principais forças em conflito sem soar tendencioso; e à objetividade como busca de fornecer ao leitor – sem tentar manipulá-lo de acordo com os humores e simpatias políticas dos diretores de redação – não apenas as informações essenciais, mas tembém, devidamente hierarquizadas, os fatores coadjuvantes que compõem o fato jornalístico em questão – e que não raro trazem nuances e contradições imprescindíveis para compreender os interesses políticos e econômicos essenciais, porém (por isso mesmo) ocultos.

Tomemos como exemplo a série de denúncias envolvendo o Senado e, de modo particular, o pela terceira vez presidente da casa, José Sarney, em relação aos chamados “atos secretos” da instituição. Imaginemos um leitor razoavelmente informado. Ele certamente seria capaz de traçar a arquitetura básica do caso, para começar, devido à intimidade compulsória com o personagem principal, protagonista da vida pública do país nas últimas 4 décadas.

“O oligarca perfeito”
De promessa de inovação da política maranhense – captado em tom profético por Glauber Rocha no documentário Maranhão 66 – , Sarney transforma-se numa das lideranças da Arena, partido de sustentação do regime militar, de onde salta a tempo de embarcar, como vice, na canoa presidencial de Tancredo Neves. Tornado presidente por acaso, seu governo é marcado por denúncias de corrupção (com o Planalto apelidado pela mídia de “balcão de negócios”), pelo populismo econômico do “Plano Cruzado” (que levou a classe média ao paraíso enquanto o truque durou, para em seguida remetê-la a uma longa temporada no inferno), e pela pior das muitas crises inflacionárias do país, em que os índices mensais chegaram à casa das centenas.

O Maranhão, que ele governa desde 1966 de forma praticamente ininterrupta (in persona , através de parentes ou de prepostos), com um poder que se estende ao Judiciário e depõe governadores eleitos, é hoje, a despeito de seu tamanho e abundância de riquezas naturais, a mais miserável das unidades federativas do país. Num acinte à ética eleitoral, candidatou-se a senador pelo Amapá quando viu que seria rejeitado pelo voto na sua capitania hereditária maranhense.

Deixa a Presidência com popularidade baixíssima, mas não deixa o poder, reelegendo-se senador sucessivas vezes. Ao mesmo tempo, junta à imagem de político afável a de intelectual progressista, encontrando abrigo na Academia Brasileira de Letras e em coluna semanal na Folha de S. Paulo – coluna essa que se tem mostrado resistente tanto à ocupação de cargos que o desincompatibilizariam, segundo norma do jornal, com o exercício da livre-opinião, quanto às piores denúncias. Graças a essa operação, a “a capa de homem cordial/literato/estadista cobre o coronel como um jaquetão”, como observa o colunista Roberto Pompeu de Toledo, que dissecou o espécime com a exatidão de um antropólogo na coluna “O oligarga perfeito” (Veja, 06/04).

Manchetes e notinhas
Mas voltemos ao nosso leitor razoavelmente informado – e, portanto, a par da maioria dos dados biográficos acima descritos. Por sê-lo, não lhe causa espanto algum o envolvimento de Sarney em mais uma denúncia de corrupção. Talvez, antes de se inteirar melhor do fato, ele até se pergunte por que, dado o histórico do autor de Marimbondos de Fogo, haja tanta gritaria em torno do caso. Mas quando o faz, mesmo vivendo num país em que um ex-congressista e ex-ministro do STF confessa ter alterado a Constituição na calada da noite, à revelia do Congresso Constituinte, e siga não apenas impune, mas ministro, nosso leitor se dá conta da gravidade das denúncias – afinal, como qualquer cidadão decente, considera inacreditável que em plena vigência da democracia, atos secretos do Senado distribuam cargos a granel sem notificar a sociedade de tal decisão.

Do que ele talvez não se dê conta, por se tratar de uma daquelas notícias que não combinam com manchetes e ficam escondidinhas numa das notas das colunas de política (como o Painel, da Folha de S. Paulo de 18/06 ) é que a eventual remoção de Sarney da presidência do Senado poria esta no colo do ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO), primeiro vice-presidente do Senado e inimigo do Planalto. Há, portanto, um objetivo político imediato nas ações da oposição, uma luta por uma fatia considerável de poder no Legislativo – luta esta que a mídia, de forma geral, não tem feito questão de ressaltar.

Soma-se a essa “distração” omissa da mídia o fato de que os principais trombeteiros da atual denúncia são as mesmas figuras fanfarrônicas que já gozavam de superexposição midiática nos vários surtos denuncistas que a precederam – uns procedentes, outros meros factóides –, como Álvaro Dias (PSDB-PR), Raul Jungmann (PPS-PR) e Hieráclito Fortes (DEM-PI). O mais despudorado deles, Arthur Virgílio (PSDB-AM), que chegou a ameaçar dar uma surra no presidente Lula, foi recentementre envolvido no escândalo que ele mesmo insistia em denunciar, ao se descobrir que manteve por anos um funionário fantasma.

Por essas e por outras, nosso amável leitor medianamente informado, enfastiado de vê-las, há anos, bradando insultos e denúncias ao léo, considera tratar-se de figuras públicas que não primam pelo pudor em adotar um moralismo raso e falso, pois aplicável apenas às forças políticas às quais se opõem, nunca às condutas dos membros dos partidos que representam (como, entre vários outros exemplor possíveis, fica patente na reação que tiveram quando do envolvimento de Eduardo Azeredo no “mensalão” mineiro). Nem a velhinha de Taubaté, que não tem acesso a informação nenhuma, acreditaria que tais personagens ajam por amor à ética, mas sim pela mais cruenta guerra política.

Assim, embora não minimize a gravidade do caso nem o envolvimento de Sarney, nosso leitor razoavelmente informado passa a questionar quais outras razões dissimuladas fazem a oposição e a mídia – que no Brasil atual por vezes se confundem – associar tão-somente o senador maranhense a uma sequência aparentemente interminável de falcatruas que vêm ocorrendo há catorze anos (portanto, começaram no segundo ano da Presidência de FHC), sem que, no entanto, congressistas demo-tucanos ou jornalistas acusem, com a mesma presteza, presidentes anteriores da casa e membros de seus próprios partidos.

A fala de Lula
Mas não param por aí as inquietações de nosso querido leitor. Ele se inteira, com grande espanto, da notícia que, do exterior, o presidente Lula, a quem ele respeita e admira, mandou dizer que “Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. Foi como se recebesse um soco no estômago. Nosso ingênuo leitor pensava que, segundo a Constituição do país que Lula governa, todos os cidadãos fossem iguais perante a lei…

Sua desolação inicial com o atual presidente pouco a pouco dá lugar ao enfado, tamanho o número de colunistas que trataram do tema, sem variar significativamente as abordagens, que preferem o moralismo e os ataques pessoais à crítica fundamentada do desrespeito institucional perpetuado pelo presidente. No entanto, ao deparar-se com a capa da penúltima edição da revista Veja (com o artigo 5º. da constituição em letras garrafais e muitas fotinhos de brasileiros de diversas estratos e etnias, exigindo do presidente, segundo a revista, “respeito”) o enfado que nosso leitor sentia dá lugar à náusea : “Há limites para a manipulação interessada do sentimento popular pela imprensa” – pensa nosso honrado leitor.

Homem de seu tempo, decide navegar pela internet em busca de novas informações e diferentes abordagens sobre o caso. Depara-se, então, com o sempre incisivo Blog do Mello, que aventa a possibilidade de José Serra estar por trás da perseguição denuncista a Sarney. Afinal, costuma-se debitar na conta do governador paulista a operação da Polícia Federal que, em 2001, retirou a filha do senador, a então candidata presidencial (e hoje governadora não-eleita do Maranhão) Roseana Sarney, do páreo. Lula, com toda sua louvada sapiência política – pergunta-se nosso leitor -, ao firmar aliança com a ala do PMDB comandada por Sarney, não sabia dos humores figadais que opõem o candidato que ele derrotou em 2002 e o senador que o apoia? Exímio enxadrista que já demonstrou ser, não foi capaz de prever desenrolar tão evidente do jogo político?

Nosso leitor, embora apenas razoavelmente informado, é um homem sensato e justo. Ele conclui que esse caso dos atos secretos do Senado é o tipo de episódio em que nenhum lado tem razão, a despeito dos esforços argumentativos dos detratores do governo Lula e de seus apoiadores – alguns dos quais teimam na tática eticamente inaceitável de minimizar atos de corrupção. Sarney, pelas práticas a ele associadas, por tudo o que representa e pela insensibilidade em não perceber que está manchando de forma indelével sua própria biografia; a oposição e a mídia por apostarem, uma vez mais, num denuncismo histérico e “fulanizado” como forma de luta política, sem olhar para o próprio umbigo, sem apresentar propostas alternativas viáveis e sem atacar as razões estruturais da corrupção; e, pairando acima de todos, o presidente Lula, não só pela realpolitik por demais elástica que pratica – e que junta no mesmo saco Sarney, Collor de Mello e Geddel Vieira Lima, entre outros -, mas por não preservar a Presidência, posando como defensor de práticas e figuras políticas que não coadunam com um regime verdadeiramente democrático nem com seu passado político.

Maurício Caleiro, jornalista e cineasta, mantém o blog http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com

25 de junho de 2009, 11:26

Ou inventamos, ou estamos perdidos!…

Por Elaine Tavares – jornalista, mandado por Heitor para a mailist da Pró-confecom nacional.

O Brasil viverá no mês de dezembro um momento que poderia ser histórico: a Conferência Nacional de Comunicação. O verbo no futuro do pretérito não é ao acaso. Digo poderia porque não creio que venha a ser. Esta conferência, desejo acalentado pelos movimentos sociais durante anos para reorganizar a comunicação no país, pode ser transformar num pastiche, numa farsa, ou ainda pior: num espaço de vitórias para a elite gangrenada do país.

Além de as organizações populares serem minoria na comissão formada para preparar o evento – o que significa que os poderosos é que darão o tom da coisa – ainda temos de engolir a ingerência estrangeira no processo. É, porque já circula pelos correios eletrônicos de todos os militantes que a nefasta Fundação Ford (braço armado de difusão da política e da ideologia estadunidense para os países que estão na periferia do capital) também estará envolvida no financiamento da Conferência. Vai entrar com 68 mil reais. Então, se não há mecanismos que garantam maciça participação popular, se os representantes do poder estão em maioria na organização e se fundações do tipo da Ford estão financiando o processo, o que se pode esperar da Conferência? A quem ela servirá? Poderão os movimentos sociais, esfacelados pelo lulismo, impor suas pautas? Difícil!

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24 de junho de 2009, 20:05

Agenda das etapas estaduais e nacional da Confecom

leia no site da Comissão Nacional Pró-Conferência

Na última sexta-feira, dia 19 de junho, a Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) decidiu a agenda das etapas para a Conferência. O evento, que aconteceu no Ministério das Comunicações, foi o segundo encontro da Comissão Organizadora (composta por representantes da sociedade civil, empresários e governo).
A agenda ficou estabelecida da seguinte maneira:

De 1/7 a 31/8 – Conferências Municipais

De 1/9 a 31/10 -Conferências Estaduais

De 1/11/09 a 1/12/09 – Entrega dos relatórios estaduais e confecção dos cadernos da 1ª Confecom

Dias 1, 2 e 3/12/09 – Conferência Nacional em Brasília

Fevereiro de 2010 – publicação dos relatórios e resultados da 1ª Confecom

Reuniões da Comissão Organizadora Nacional da I CONFECOM
Dia 25/6/09 – Discussão do Regimento Interno
Dia 30/6/09 – Conclusão do Regimento Interno
Dia 01/07/09 – Início da discussão do Documento Base
Dia 09/07/09 – Conclusão do Documento Base

Reuniões da Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação (entidades nacionais)
Dia 24/06/09 – 18h – Reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Dia 29/06/09 – 18h – Reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Dia 30/06/09 – 18h – Reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Dia 08/07/09 – 18h – Reunião na Comissão de Direitos Humanos da Câmara

22 de junho de 2009, 21:09

Fenajufe apresenta Confecom – Uma questão de classe

O vídeo abaixo foi feito pela Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União e descobri via Dialógico.

Ao meu ver, além de outros méritos, ele coloca a questão de que a comunicação tem sim um importante componente de classe.

20 de junho de 2009, 19:10

Audiência Pública Pró-Conferência Estadual de Comunicação – RJ

Atenção, pessoal do Rio de Janeiro:

Audiência Pública Pró-Conferência Estadual de Comunicação

22 de junho (segunda-feira), na Assembléia Legislativa, 14h

Venha debater a realização da 1º Conferência de Comunicação!

Você não pode faltar. Mais informações:

http://rafaelfortes.wordpress.com/2009/06/20/audiencia-publica-pro-conferencia-estadual-de-comunicacao/

http://www.rioproconferencia.com.br/

http://rioproconferencia.blogspot.com/

http://twitter.com/confecom

19 de junho de 2009, 15:09

A Confecom e o embate blogosfera vs. mídia corporativa

Embora a sociedade brasileira venha apresentando, com mais vigor no decorrer da última década, um dinamismo acelerado, notadamente nas chamadas classes “C” e “D”, duas áreas, a despeito de mudanças eventuais, mantém-se presas a conformações estruturais quase centenárias: a política institucional/partidária e a chamada “grande imprensa”.

Não pertence ao âmbito deste artigo a discussão do primeiro item, embora seja forçoso reconhecer que, se a eleição de um ex-operário com um passado de esquerda representou um momento de conjunção de tal dinamismo social com exercício maduro de democracia, alguns dos aspectos mais retrógrados da Presidência de Luís Inácio Lula da Silva – a despeito do bom desempenho de sua administração em diversas frentes, notadamente a política externa e as áreas sociais – advém justamente de sua adesão a uma realpolitik por demais elástica, de modo a assegurar a governabilidade através da satisfação das demandas dos donos das capitanias políticas que persistem no Brasil contemporâneo.

A proeminência de duas figuras políticas de um passado de triste memória redivivas na base de apoio lulista é suficiente para ilustrar tal ocorrência: José Sarney, senhor feudal do estado mais pobre da federação e ex-mandatário que deixou a Presidência com a inflação medida na casa das centenas e Fernando Collor de Mello, ex-presidente afastado sob ameaça de impeachment.

Mais complexo ainda é o caso da imprensa – ou melhor, da mídia, porque é irrelevante, se se quer analisar o campo da comunicação no Brasil, discutir o comportamento de órgãos de imprensa escrita sem levar em conta como se portam as mídias televisivas e radiofônicas.

A imprensa escrita passa pela sua maior crise, refletida não apenas na queda vertiginosa da venda de exemplares dos “grandes jornais” (30% menor, em média, de abril de 2008 a abril de 2009), mas – o que seja talvez mais grave – de respeitabilidade e de reconhecimento público, devido a uma série de práticas condenáveis que têm sido sistematicamente reveladas e exaustivamente debatidas na Internet (talvez a mais grave delas a publicação, pela Folha de São Paulo, de uma ficha policial falsa da ministra e possível candidata a presidência Dilma Roussef recebida por email e cuja autenticidade não foi verificada pelo jornal).

 

Os blogs e a crise da imprensa escrita
A decisão da Petrobras de criar um blog no qual reproduz a íntegra das perguntas enviadas à empresa pelos órgãos de mídia – seguidas, para fins comparativos, da matéria nas perguntas baseada tal como por tais veículos publicada –, além de revelar novas potencialidades para a utilização da ferramenta como instrumento de contrainformação, intensifica a cada vez mais cruenta batalha entre a blogosfera”independente” e a mídia corporativa. O esperneio dos donos de jornais e de seus porta-vozes contra a atitude da Petrobrás enfatiza a dificuldade que têm para compreender as mudanças estruturais por que passa a atividade.

Inovação que se transforma em fenômeno nos EUA do início da presente década – e no Brasil cerca de três anos depois – a emergência de uma blogosfera politicamente ativa e majoritariamente dividida em facções políticas opostas – da qual o embate Luís Nassif versus Reinaldo Azevedo é talvez o exemplo mais ilustrativo, mas de forma alguma o único – representa, muito possivelmente, a mais relevante novidade do cenário político-comunicacional brasileiro, embora seja ainda difícil precisar seus efeitos reais em termos informativos, de formação de opinião e eleitorais.

A blogosfera costuma volta e meia se gabar por alegadamente ter acabado, na marra, com o monópolio da comunicação impressa nas mãos – e nos bolsos – de um punhado de famílias, representantes do conservadorismo em seus diversos matizes. Historicamente, essas forças da imprensa corporativa – aí incluídas as modalidades televisivas e radiofônicas – têm sido capazes de barrar ou de restringir a níveis mínimos e alcance reduzido as manifestações contra-hegemônicas no campo da comunicação, como as rádios mal chamadas “piratas”, a imprensa alternativa, as TVs comunitárias (que prometiam proliferar e renovar a mídia televisiva quando do advento da TV a cabo no país), do curtametragismo cinematográfico como atividade rentável, entre outras manifestações. O advento da internet teria possibilitado à blogosfera não apenas apresentar-se como alternativa à essa mídia corporativa e hegemônica, mas trazer à luz suas maquinações, omissões e interesses políticos.

Esse novo cenário tem provocado reações irritadas nos porta-vozes da imprensa corporativa, que oscilam entre a tentativa de ignorar a blogosfera como interlocutor político, passam pela generalização grosseira de seu modus operandi – descrito como monocórdio, agressivo, inculto – e chegam à hostilidade aberta. Um entre vários exemplos possíveis, o colunista da Folha de São Paulo, Clóvis Rossi, volta e meia alfineta o jornalismo cibernético, como na coluna “A coalizão `do bem´” (24/04), em que acusa a sociedade de estar “virtualmente comatosa” – querendo com isso insinuar, a um tempo, uma crítica à baixa capacidade de mobilização popular e um ataque à internet que lhe rouba leitores, entulha sua caixa de emails e aponta seus erros e distorções. (Um blogueiro poderia refutar a ironia ferina de Rossi com a provocação de que ele e os demais jornalistas da Folha é que estariam “corporativamente necrosados”, como o demonstraria não apenas a queda vertiginosa na venda de exemplares, mas o fracasso, nas duas últimas eleições presidenciais, dos candidatos representativos do ideário político que o órgão de imprensa em que trabalham notória mas não assumidamente apoia.)

Não é possível precisar se a blogosfera despertou e incitou uma consciência contrária à “grande mídia” em setores da população ou se apenas catalisou um sentimento que já se encontrava latente. Mas o certo é que – como profusamente o demonstram as caixas de comentários da maioria dos blogs de sucesso (ao menos daqueles aqueles que não filtram comentários com base em identidade políticoideológica), há neste momento uma forte e difusa insatisfação contra a mídia corporativa.

 

Informação é serviço público
Essa insatisfação, no entanto, muitas vezes se confunde com a ilusão de que a internet se basta e de que a blogosfera seria suficiente para suplantar a mídia corporativa. Essa presunção – à qual não falta a combinação de elitismo, voluntarismo e ingenuidade -, além de não computar devidamente o quanto há de corporativo nos sites, blogs e portais comumente acessados pela maioria, passa ao largo de considerações sobre o altíssimo índice de exclusão digital no Brasil (onde só 35% da população têm acesso regular a computador) e mídias audioviduais muito mais penetrantes em termos de audiência, justamente as que historicamente mais se têm caracterizdo pelo conservadorismo.

A professora universitária Sylvia Moretszohn, falando de uma posição não-militante, fornece um contraponto que induz a uma reflexão essencial sobre o fenômeno da crise na mídia corporativa:

“Não dá pra deixar a grande mídia pra lá, simplesmente. Não só porque continua muito influente – certamente não os jornais impressos, mas a televisão e o rádio, sim –, porém principalmente porque são concessões públicas e, mesmo no caso de não serem (como os impressos ou as suas versões online), ocupam um espaço essencial de serviço público e têm contas a prestar. Não podem disseminar informações falsas, não podem provocar pânico, não podem fazer um monte de coisas que fazem e ficar por isso mesmo”.

Sua intervenção toca em pontos relevantes para o debate, evitando os autoenganos frequentes na blogosfera nos embates entre mídia corporativa e jornalismo na internet. Primeiro, a falácia – naturalizada durante o período de hegemonia do ideário neoliberal – de que, por se constituírem como empresas privadas, os órgãos de imprensa escrita não teriam contas a prestar ao poder público e à sociedade a respeito de suas práticas jornalísticas. Segundo, a excessiva valorização que os críticos da mídia corporativa fazem da imprensa escrita em detrimento do rádio e, sobretudo, da televisão – veículo cujo grau de penetração nos lares brasileiros, em comparação com o da internet e da imprensa, pertence a outra escala de valores.

 

A questão da profissionalização
A tais questões juntam-se a outras que concernem especificamente aos limites do jornalismo político dito independente na internet. Contam-se nos dedos de uma só mão os blogs políticos não-corporativos em língua portuguesa que se sustentam comercialmente. Portanto, a profissionalização do jornalismo independente na internet brasileira – com raríssimas exceções – não passa, neste momento, de uma quimera. E, com o perdão da redundância, a dura realidade, na internet ou fora dela, é que jornalistas também precisam de recursos para se alimentar, morar, sobreviver. Apenas como exercício mental, imaginemos o que aconteceria no caso de derrocada da mídia corporativa – objetivo assumido de diversos blogueiros. Num cenário em que, por si só, a lógica planetária já pressupõe a supressão de empregos, como observa a crítica literária do Le Monde, Viviane Forrester (em seu belo e dilacerante livro O Horror Econômico, sobre a situação do emprego num mundo globalizado), as dezenas de milhares de estudantes que se formam todos os anos nas faculdades de Comunicação, iriam viver de quê? Faz mesmo sentido a alimentação de um sentimento anti-jornalista, generalizante e preconceituoso, quando isso significa o estímulo ao fechamento de mais postos de trabalho num setor econômico em crise estrutural?

Embora eventualmente a blogosfera política atue como produtora de informação – às vezes de forma pioneira e como voz isolada, como na excelente cobertura que os blogs RS Urgente e Cloaca News há tempos fazem dos escândalos envolvendo a governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB-RS) – outro paradoxo envolvendo a atividade advém do fato de que boa parte do jornalismo político “independente” na internet tem a mídia corporativa como principal fonte de matéria-prima, e um montante considerável da produção blogueira destina-se justamente a criticar matérias por aquela produzida (vide, entre inúmeros exemplos possíveis, o grande volume de posts suscitados pela aludida difusão da ficha falsa de Dilma Roussef e pelo ataque da Folha de São Paulo aos professores Maria Victtoria Benevides e Fábio Konder Comparato).

As características apontadas nos dois últimos parágrafos evidenciam, a um tempo, a necessidade e a quase impossibilidade de a blogosfera, em seu projeto de substituição da mídia corporativa, criar condições materiais para satisfazer às demandas de capital, infraestrutura e recursos humanos especializados necessárias à produção industrial do jornalismo e da notícia. Trata-se de um problema que tem sido sistematicamente negligenciado pela militância cibernética, que continua parecendo crer na perpetuação do trabalho voluntário, autodeterminado e não remunerado como forma de geração “espontânea” da notícia. Equivale a apostar na servidão voluntária.

 

Mobilização é necessária
O fato de a própria blogosfera “independente” superestimar seu alcance e poder de influência [o leitor duvida? Pergunte às pessoas no trabalho, no barzinho e na família qual a principal fonte de informação delas], ao mesmo tempo em que negligencia os cuidados com as questões materiais que permitiriam a expansão de sua qualidade e audiência, não diminui a importância que ela tem como mais impactante e mais bem-vinda novidade na esfera comunicacional, com enormes potencialidades no campo político e cultural, além da função de vigilante rigorosa das práticas da mídia corporativa que ora exerce.

Mas a autocomplacência que ora exibe pode ser perigosa, sobretudo ante os embates cerrados que têm data marcada para acontecer, em eventos que podem alterar profundamente as bases de funcionamento da atividade comunicacional no Brasil.

A revolução representada pelo advento da internet – e, no âmbito desta, da blogosfera, cuja velocidade de implantação e disseminação tem superado tremendamente a morosidade institucional do Legislativo, não só no Brasil mas em boa parte do mundo desenvolvido – apanhou as forças da mídia corporativa (e do conservadorismo de forma geral) no contrapé. No entanto, é ilusão achar que, com o poder econômico e político que têm, deixarão de fazer de tudo para reverter a situação como ora se encontra, ainda mais porque à medida que a exclusão digital deixar de ser um desafio no país a tendência, naturalmente, é o crescimento da atividade blogueira e virtual.

Dois eventos que terão lugar nos próximos meses deverão influir decisivamente no cenário acima descrito. A primeira será a votação da chamada “Lei Azeredo”, que propõe uma legislação ainda mais draconiana para a internet do que a “lei Hadopi”, recentemente aprovada na França. Se aprovada e se for tornada efetiva – já que uma das características distintivas da internet tem sido a capacidade de driblar legislações nacionais com truques tecnológicos – ela representará efetivamente uma ameaça ao exercício do jornalismo “independente” na internet (leia aqui a impecável análise do professor de Direito Penal e advogado Túlio Vianna sobre o tema).

O outro evento (e razão de ser deste blog) será a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que se realizará entre 01º e 03 de dezembro deste ano, em Brasília, e que tem tudo para se tornar uma espécie de ringue para a medição de forças entre corporações midiáticas de um lado e representantes da sociedade civil, ONGs e militantes da internet de outro. Sem a união destes, há grande chance de – como ocorreu por ocasião do projeto da Ancine – a mídia corporativa impor, uma vez mais, suas demandas – e é quase certo que estas mirarão como alvo preferencial a atividade blogueira na internet. Portanto, a união de todos na luta pela democracia nas comunicações faz-se, mais do que nunca,  necessária.

 

Maurício Caleiro é jornalista e cineasta. Mantém o blog Cinema e Outras Artes.

17 de junho de 2009, 20:42

Pró-Confecom – estapa regional – Alagoas

Olá, Flávia!!!!
Fico feliz com o seu interesse e surpreso que o relatório tenha atingido tamanha repercussão. Coisas da internete!
Pode contar comigo para o que você precisar para ficar antenada em quantas andam as mobilizações regionais objetivando a realização da Conferência Nacional de Comunicação.
Seguinte: não somos de SC, mas de Alagoas.
Esse ‘relatório’ (destaquei por ele ser extremamente informal) que você teve acesso é resultado do IV Seminário Pró-Conferência Estadual, um evento que aconteceu no sábado (13/06), na cidade de Piaçabuçu, litoral sul do estado, às margens do delta do Rio São Francisco (na verdade é a última cidade, antes do encontro do velho Chico com o Mar).
Iguais a este, aconteceram em Maceió (o primeiro, na Capital), Arapiraca (Agreste) e Santana do Ipanema (Sertão alagoano) - preparatórios para as regionais, que devem acontecer tão logo o governador publique Edital convocando a Conferência Estadual.
Flávia, além do Cinema e do Outodoor, os quais citei no ‘relatório’ esqueci de me referir a internet também; eles não compreendeiam a rede mundial de computadores como um outro meio, mas que vem suprindo as ausência dos impressos e de pontos de consumo (em Piaçabuçu, eles navegam nos sites de notícias para se informar e compreendem que podem fazer compras na rede).

14 de junho de 2009, 19:23

O trabalho de formiguinha de todos nós

Compartilhei, outro dia por e-mail, as angústias de tentar tornar de conhecimento público um processo como a Confecom, que por definição deveria ser de conhecimento público, posto que é um movimento de democracia participativa em nível nacional. A cláudia, do blog Dialógico é das Comissões Pró-Confecom do RS

Copio aqui o meu e-mail pra ela, e depois a resposta dela:

Oi, Clau!!!

Eu sei que vocês deviam estar no maior inferno até que saiu a CO. Entendo completamente – quero dizer, entendi, depois que usei meu recurso plus de imaginação sociológica à distância, besservando a lista de e-mails de Santa Catarina ficar tão lotada que dava medo.

Mas a Confecom corre risco de chegar em dezembro isolada. Ninguém tá sabendo de nada. Fui visitar a FFLCH, que tá em atividades de greve e ninguém sabe, por exemplo. Paridade é a palavra chave, na minha opinião. Se o prumo da balança vai ser os representantes do governo, compostode dilmas e hélios costas, vai precisar de apoio popular.

Além, disso, a primeira e única experiência de democracia participativa em nível nacional tem que se tornar experiência real. Tem que se calcar em nossa memória política, para que não seja a última, mas a primeira de muitas. Quando chegarmos em dezembro sem apoio popular temo ver uma grande derrota da esquerda.

A resposta dela:

Compartilho contigo das tuas angústias. Como mídia não discute mídia e como esta conferência não está pautada na mídia corporativa, é “natural” que as pessoas estejam boiando sobre o assunto – mesmo as mais combativas dentro de suas categorias [estudantes, sindicalistas, movimentos sociais].

Aqui, no RS, estamos fazendo política de formiguinha: iniciamos visitas a prefeituras que ficam perto de P. Alegre e, agora, buscamos a Assembléia Legislativa para auxiliar na mobilização dos partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais.

14 de junho de 2009, 17:58

A defesa da tese na Rádio

Um dia quem sabe poderemos ter isso em nossas rádios, a defesa de teses, a apresentação ao vivo de palestras, como ocorre em radios canadenses e francesas. A cultura ao alcance de todos por termos mídias de interesse social.

CONVITE

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação convida a comunidade acadêmica da UERJ e o público em geral para assistirem à Defesa Pública de Dissertação da mestranda HELEN PEREIRA FERREIRA.

Título do trabalho: SERVIÇO DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA: METAMORFOSE E SINGULARIDADE.

Data: 17 de junho de 2009 às 17:00 horas no estúdio da Rádio Comunitária Kaxinawá (UERJ/FEBF). Ao vivo na rádio Kaxinawá

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